• Diego Spinelli

Sistema de Movimento - função extrínseca x intrínseca

Atualizado: 18 de Ago de 2019


Para alguns o termo funcional é utilizado para descrever uma abordagem em que a prescrição de exercícios tente reproduzir os mesmos movimentos usados em uma atividade, seja você atleta ou não.


Por exemplo, alguns poderão classificar o Overhead squat (agachar com a barra a cima da cabeça) como um movimento funcional, até ai tudo bem mas depende de vários pontos, não iremos debater isso agora. Este é apenas um ponto de vista extrínseco da função, é importante lembrar primeiro a função intrínseca ou a função das estruturas e sistemas. Ao compreender a subjacente função destes processos intrínsecos, os médicos, fisioterapeutas e profissionais de ed.física podem entender melhor a patologia das lesões funcionais.

Temos três vistas intrínsecas da função, são elas: fisiológicas, biomecânicas e a neuromuscular. • Função fisiológica: é a resposta do tecido à disfunção e danos, bem como o processo de cura em si. Estar ciente deste processo fisiológico para que possamos entender melhor as conseqüências da disfunção e o processo de recondicionamento. • Função biomecânica: engloba a osteoartrite e artrocinemática envolvidas no movimento humano e os vetores de força resultantes aplicados em tecidos humanos. Reconhecer as funções biomecânicas das estruturas ajuda de forma clínica compreender o conceito de reações em cadeia e como toda cadeia cinética é implicada no movimento e por consequência em uma patologia. • Função neuromuscular: relaciona-se com os aspectos sensório-motores de movimento, tais como propriocepção, nocicepção, reflexos e etc. Devemos também compreender os processos do controle motor e reaprendizagem motora para uma orientação eficaz.

A função extrínseca é composta pelos movimentos específicos, propositais e sinérgicos, que integram os três sistemas intrínsecos. Portanto, os três pontos de vista de função intrínseca não são independentes um do outro, pelo contrário, eles são interdependentes em todos os humanos.


Por exemplo, o conjunto de tensões desequilibradas na biomecânica (movimento pobre ou ruim no exercício) resulta em desequilíbrio muscular e pode levar a lesões articulares, e criar um ciclo vicioso de dor e inflamação. A inflamação estrutural, afeta o sistema neuromuscular da articulação, criando ainda mais disfunção.


Eventualmente, o corpo se adapta ao programa motor criado para o movimento compensar a disfunção. A causa do problema funcional é o desequilíbrio do músculo, enquanto que o sintoma é a dor e inflamação que é resultante de uma lesão estrutural. Pois é possível ter uma estrutura em lesão funcional, mas para o diagnóstico preciso e tratamento o profissional deve decidir qual lesão é a verdadeira causa da disfunção.


Os profissionais devem aprender a tratar a causa da dor, em vez de a dor em si, como é muitas vezes feito em uma abordagem estrutural. Por não compreender ou reconhecer a fisiopatologia de uma lesão funcional, alguns profissionais podem piorar a condição do cliente, criando uma espiral descendente. Talvez esta seja uma das razões por que tantos pacientes experimentam falhas em cirurgias, programas de reabilitação e a dor volta. Tentar restabelecer as estruturas através de cirurgia, em alguns casos não é identificar e nem tratar uma disfunção funcional.

Fonte: Phil Page, PT, ATC Baton Rouge, LA Clare C. Frank, DPT Movement Links, Inc. and Kaiser Permanente Movement Science Fellowship, Los Angeles, CA Robert Lardner, PT Chicago.ASSESSMENT AND TREATMENT OF MUSCLE IMBALANCE - The Janda Approach. Human Kinetics - 2009


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