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  • Diego Spinelli

Dor no quadril, joelho e lombar X amnésia glútea, existe relação?

Atualizado: Fev 24

É provável que você já ouviu falar que pessoas com dor no quadril, joelho e até na região lombar podem estar com “amnésia glútea”, no qual teria uma relação de inibição da musculatura do Gmáx, não é mesmo?


Mas precisamos entender o conceito antes de tirar qualquer conclusão, o nome denominado inibição artrogênica é definido como uma inibição reflexa e contínua da musculatura circundante a uma lesão articular ou derrame articular (Hopkins e Ingersoll,2000).


Uma característica, seria a inibição seletiva da musculatura extensora onde é acompanhada pela facilitação da musculatura flexora circundante na articulação afetada (Hopkins e Ingersoll, 2000; Palmieri et al.,2005).


Embora, com o aumento de observações clínicas seja difícil negar a presença desse fenômeno, existe uma ausência de pesquisas para apoiar sua existência sobre a articulação do quadril.


Contudo, esse conceito de inibição artrogênica tenha sido aceito como um amplo truísmo neurológico, devido ao fato de que esse padrão de inibição-facilitação ter sido extensivamente documentada na sequência de lesões intra-articulares, intervenção cirúrgica e/ou administração de líquidos de algumas articulações periféricas, principalmente no joelho (Palmieri et al., 2003; Palmieri-Smith et al., 2007).


*NOTA: Embora tenha sido conceitualmente generalizado ocorrer em todas as articulações, sua aparente ocorrência na articulação do quadril nunca foi quantitativamente validada.

Por exemplo, extensa pesquisa pelo grupo de Palmieri demonstrou uma inibição seletiva dos extensores do joelho associados ao aumento do líquido intra-articular, induzido por lesão ou experimentalmente (Palmieri et al., 2003, 2004, 2005; Palmieri-Smith et al.al., 2007). Essa "inibição" foi exibida durante os dois experimentos estimulados em contrações e tarefas funcionais. Esse padrão de inibição em articulações periféricas é suportado por um grau muito menor, em alguns estudos investigando sua presença na articulação do cotovelo e tornozelo (Hopkins e Palmieri, 2004; McVey et al., 2005).


A evidência que apóia a presença de inibição artrogênica no joelho é convincente, mas os mecanismos específicos permanecem especulativos. Independentemente da articulação envolvida em uma lesão ou induzida experimentalmente, imagina-se que o derrame articular interfere nas respostas aferentes da articulação, causando interrupção de integração aferente, mecanismos de feedback neurológico e, finalmente, inibição muscular (Hopkins e Ingersoll, 2000; McVey et al., 2005; Palmieri et al., 2004).


A consequência é uma aumento do risco de alterações degenerativas precoces nas estruturas ósseas e cartilaginosas, achados comumente associados à articulação do quadril lesões (Palmieri et al., 2005; Suter e Herzog, 2000). Confirmando a presença de inibição artrogênica sobre a articulação do quadril contribuiria algumas dicas sobre os mecanismos neuropatológicos que cercam a inibição muscular, um requisito para o aprimoramento do tratamento e protocolos para prevenção e tratamento da patologia do quadril.


Temos esse estudo (Freeman S. et al, 2013) que teve por objetivo investigar se o extensor do quadril através de uma inibição induzida foi desencadeada após a infiltração de fluido intra-articular.


Porém, analisando esse estudo temos as seguintes questões:

Algumas limitações influenciam a interpretação dos dados relatados no estudo. Ele tinha um total de 21 participantes (9 de controle e 12 de intervenção grupo) e, portanto, os resultados não podem ser aplicados a toda a população. As pessoas do grupo intervenção tinham queixas de dor no quadril e suspeita de lesão acetabular, o grupo controle não tinha nenhum histórico de dor no quadril ou na lombar.


*NOTA: O estudo mostra que um derrame articular na articulação do quadril pode colaborar significativamente para uma inibição glútea, para tarefas funcionais que exercem extensão de quadril, mas em nenhum momento se fala sobre esse acontecimento gerar um possível dor lombar, ou se essa inibição muscular seria a causa do problema, e sim talvez uma consequência, por isso devemos ter cuidado com exageros em relação a causalidade e extrapolações para dor nessas regiões.


Estudos anteriores sobre o articulação do joelho permitiu o acesso ao nervo femoral, enquanto o nervo do glútea inferior que exigiria acesso para o estudo do Gmáx não foi acessado. No entanto, a coleta de EMG durante tarefas funcionais foi mais generalizável para um ambiente de reabilitação clínica.


Nesse outro estudo (Glaviano NR et al, 2019) a fraqueza muscular é um comprometimento comum em mulheres com dor femoropatelar (DFP), observada clinicamente nos músculos quadríceps e glúteo.


Porém, por meio dessas fraquezas foi sugerido que aconteceria padrões de movimento deficientes, o que resulta na apresentação clínica da dor devido ao aumento do estresse na articulação femoropatelar. Enquanto a fraqueza no quadríceps foi identificada como um fator de risco para o desenvolvimento de DFP, estudos prospectivos não encontraram fraqueza no músculo glúteo como fator de risco.


Portanto, a fraqueza do músculo glúteo pode de fato ser uma conseqüência da DFP. Essa fraqueza muscular é frequentemente combatida com programas tradicionais de fortalecimento. Essas intervenções melhoram a função subjetiva de curto prazo e melhoram a força, mas sua relação com os resultados a longo prazo não é tão boa.


Referências:

Freeman S. et al. Arthrogenic neuromusculature inhibition: A foundational investigation of existence in the hip joint. Clinical Biomechanics (2013)


Glaviano NR et al. Gluteal muscle inhibition: Consequences of patellofemoral pain? Medical Hypotheses (2019)


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